Redes Sociais x Eleições: o certo e o errado

A grande novidade das eleições deste ano na internet é que pela primeira vez o Facebook terá um papel protagonista. Isso porque o número de brasileiros na rede já passa da casa dos 40 milhões, bem mais que os 8,8 milhões registrados em 2010, época das últimas eleições. Com tanta gente conectada, é de se esperar que a principal rede social no país seja amplamente usada por candidatos de muitas cidades.

De acordo com o TSE, a veiculação de campanhas do 1º turno está liberada na internet do dia 6 de Julho até o dia 30 de Setembro. A campanha eleitoral é permitida nas redes sociais, por meio do artigo 57-B da Lei 12.034/09 do Governo Federal, desde que geridas pelo candidato, partido ou coligação, que ainda regulamenta:

– É proibida a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga;

– É proibida a veiculação de propaganda eleitoral em sites de pessoas jurídicas, oficiais ou hospedados por órgãos ou entidades da administração pública.

O correto e o errado nas Redes Sociais

Com a facilidade de acesso da ferramenta e a proximidade dos candidatos com seus eleitores, já que muitos são habitantes da mesma cidade, é de se esperar que a rede social seja bastante utilizada, de maneira correta ou não. De maneira correta ao permitir, por exemplo, a realização de debates, exposição de novas ideias de maneira colaborativa, a livre expressão e o relacionamento franco entre ambas as partes.

Porém, candidatos e eleitores precisam ficar atentos com algumas práticas de spam que vêm sendo utilizadas no Facebook. Uma dessas práticas se utilizada da marcação de amigos em fotos, um recurso que deveria servir para mostrar quais pessoas realmente aparecem naquela foto, mas que vem sendo utilizado por lojas que publicam imagens com ofertas e produtos e marcam dezenas de amigos nelas. Ao marcar uma imagem qualquer, essa imagem aparece no mural das pessoas que foram marcadas. Isso pode gerar a falsa impressão que a pessoa marcada deseja aquele produto ou, caso a imagem seja de um candidato, que a pessoa marcada o apoia. Essa é uma prática se assemelha ao spam, e deve ser evitada por empresas e pessoas.

Além das regras estabelecidas pelo TSE, algumas recomendações sobre o bom uso delas são importantes. Cito aqui algumas que acredito possam contribuir de fato para a melhor escolha dos candidatos:

– Redes sociais são ambientes para relacionamento. Nelas, saber falar é tão importante quando sabe escutar. Um candidato precisa dialogar, respondendo críticas e elogios, propondo questões que estimulem a interação e publicando conteúdo relevante;

– É inevitável fugir das críticas, principalmente nas redes sociais. Assim, é importante que um candidato saiba como lidar com elas, sendo franco e não deixando nada sem resposta. Uma crítica ou denúncia feita num ambiente como esse pode se espalhar rapidamente;

– O mesmo cuidado cabe aos eleitores. Críticas são bem-vindas quando forem construtivas e denúncias são ótimas, se forem verídicas. Em tempo de eleições os nervos de eleitores e candidatos estão à flor da pele, por isso é importante escolher bem as palavras antes de publicá-las;

– Não seja chato! Parece meio óbvio dizer isso, mas é bom lembrar. As pessoas estão nas redes sociais para entretenimento, para conversar com amigos, para ver fotos, para ler matérias interessantes e não apenas para ler sobre política;

– Redes sociais são ambientes multimídia, onde podemos fazer uso de imagens, links para reportagens e vídeos. Tudo isso pode contribuir para construir o perfil de um candidato ou para expressar as ideias de um eleitor;

– Uma das grandes vantagens da internet é que todas as informações e opiniões expressas ficam arquivadas lá. Um candidato pode usar todo esse material como fonte de pesquisa para conhecer melhor seu eleitor. O search do Twitter, o Google Search Blogs  e diversas outras ferramentas de monitoramento gratuitas podem ser utilizadas em blogs e redes sociais;

– Para os candidatos, também lembro o seguinte: um dos argumentos que mais motiva empresas a participar das redes sociais é que quer independente de sua vontade, estão falando de você lá. Então é melhor estar nas redes sociais, mesmo que seja apenas para se defender;

Eleitores também podem utilizar as redes sociais para fiscalizar e garantir uma campanha eleitoral limpa e de acordo com as normas. O projeto “Quem suja agora, vai sujar depois”, por exemplo, utiliza o Facebook para denunciar e conscientizar sobre o excesso de propaganda eleitoral jogada nas ruas.

Boas perspectivas

Redes sociais são formadas por pessoas em busca de relacionamento. Por trás de cada perfil existe um ser com ideias, vontades, gostos e motivações próprias. Por isso, é importante existir franqueza e diálogo. O candidato deve conversar com seu eleitor sem ser invasivo; pedir licença, mostrar que tem algo relevante a dizer e ser ouvido em troca.

Com muitos participando, acredito que o grande trunfo das redes sociais pode ser este: uma poderosa ferramenta de debate político para propor novas políticas públicas de forma colaborativa.

As regras para campanha eleitoral, inclusive para o uso de redes sociais, estão esclarecidas na cartilha “De olho nas eleições: regras básicas para uma campanha dentro da lei”, criada pelo movimento Voto Consciente em parceria com a OAB.

Para ajudar na fiscalização das campanhas, o TSE disponibiliza o Canal do Eleitor, um ótimo serviço para denúncias de irregularidades durante o período eleitoral.

Texto publicado originalmente em minha coluna no Portal Itu.com.br, em 25/07/2012. 

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